Os imãs da carne +18

Por Alan Martins

O conheci há um certo tempo. Senti tuas energias carnais me beijarem com
as intenções mais ardentes. Senti, naqueles certos dias, tua sinuosa alma
encontrar-se com a minha em um choque de sensações, fundindo-se quase como
dois imãs em intensa atração magnética… Nos fundimos! Mas, na porventura dos
dias que se sucederam à frente de nossas experiências, afastamo-nos de repente.
Por qual razão seria? Talvez fosse por se tratar de uma relação entre “polos” que,
para a sociedade, seria de uma atração abominável em se tratando dos opostos
atrativos macho e fêmea, ou simplesmente porque os ímãs, no calor intenso,
impelem-se / desatraem-se. Entretanto, aqui está o ponto-chave: no corpo, os ímãs
possuem funcionalidade própria.
Todavia, hoje estou aqui, na fila de jantar do restaurante universitário. Nada
de novo se esperaria, mas, sem consciência de minhas andanças, não cogitei a
possibilidade dos ímãs voltarem, nesta noite, a se unirem atrativamente. Esperei na
fila que parecia durar uma eternidade. Eternizei meu cansaço em meio ao anseio de
uma reunião acadêmica de iniciação científica que tão logo se aproximava.
Atravessei a trajetória da comida servida até, por fim, acomodar-me em uma mesa
do restaurante para fazer companhia à minha amiga. Nesse instante, veio a
surpresa: “Estou perto de ti” – disse ele em uma mensagem virtual. Ao vistoriar o
local, sentado em uma mesa atrás de mim, percebi que ele estava.
Tão efervescente foi a sua presença. Senti os nossos corpos, em libidinosa
testosterona, quase se unirem, feito ímãs em curta distância… Porém, entro em um
devaneio: seguir na concretização do ato nesta noite? Ou deixar, talvez,
perpetuar-se a situação entre nós, isto é, o afastamento remediador? Ou, quiçá,
aproveitar a noite como sábios jovens aventureiros que fazem dos seus corpos dois
ímãs em saborosa sintonia? Contudo, mesmo nessas incertezas, decidi pelo nosso
reencontro.
Após o jantar, apressei-me no intuito de me aprontar para o mensurado
encontro de almas carnais. Ele estava sentado em um dos quiosques em frente à
biblioteca, conversava com uma amiga enquanto me aguardava. Ao encontrá-lo,
uma simbiose de olhos envolventes marcou o início de nossas sensações humanas
amorosas. Fomos ao nosso espaço como de costume e, depois de uma conserva
confortante, virei-o de costas, desliguei as luzes, e, no escuro que nos agraciava, os
nossos corpos atraíram-se através de um beijo holisticamente simétrico. Seu corpo
beijou o meu no apagar daquelas luzes. Seu beijo, no escuro, tornou-se uma iguaria
rara e venerável, a qual eu tive o privilégio de prová-la. Seu corpo, entrelaçando-se
com o meu, tornou-se a fita rubro vibrante que enfeita um presente que ambos
desfrutam neste instante, onde tudo, no escuro, pode ocorrer… Veremos o que
esperar das futuras cenas desse capítulo.

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