Indicação – A Princesa e a Costureira (Janaína Leslão)
“A Princesa e a Costureira” (2015), escrito por Janaína Leslão, utilizam a estrutura dos contos de fadas para narrar o amor entre duas mulheres. O romance entre a princesa Cíntia e a costureira Isthar, está marcada pelas diferenças de classes e étnica entre as duas, o que acrescenta elementos disruptivos às narrativas clássicas dos contos de fadas. Além disso, Isthar é também uma imigrante e mãe solteira. Apesar de todos esses elementos, o grande contraponto ao “amor verdadeiro” de Cíntia e Isthar é a lesbofobia do rei, pai da princesa, encontrada na história e que não só vai movimentar a narrativa, mas também quase matar a rainha.
Os elementos mágicos, obviamente, como a Fada Madrinha que determina o destino da princesa e a auxilia nos momentos difíceis, assim como a agulha de Isthar que é capaz de costurar qualquer tecido, abudam na narrativa. O livro também é enriquecido pelas ilustrações de Júnior Caramez, que não se limitam a produzir visualmente o texto escrito, ao contrário, produz novas significações e rupturas.

Veja abaixo um trecho e uma ilustração de “A Princesa e a Costureira”.
E foi enquanto ajudava Cíntia a subir na banqueta que Isthar tocou a mão nas costas da princesa: a profecia se cumpriu! Uma luz tomou conta de todo o ambiente. Um redemoinho de vento se formou na sala, girando Cíntia e Isthar junto com as flores que ali estavam. As duas deram-se as mãos por medo e, passado o susto, continuaram assim, girando e sorrindo, desfrutando da magia daquele encontro. [...] Para piorar, a tradição dizia que uma mulher tinha que amar um homem. E agora, seria jogada na rua por amar uma mulher? Seria condenada a um casamento forçado apenas para cumprir o que era esperado pela tradição? Como faria para que todos entendessem que esse amor era tão amor quanto outros amores? Seria melhor fugir do reino? (LESLÃO, 2015, p. 21).
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