O jantar sublime dos desejos (+18)
Por Alan Martins
Eu desejo alguém que me ame… Sim, eu desejo. Eu desejo alguém que
esteja comigo em um dia frio, que divida o aconchego do cobertor enquanto
assistimos a um filme juntos e, no furor do momento, nossos corpos se amem ao
infinito. Eu desejo olhos alheios, e meigos, acariciando os meus com o seu brilho
atraente. Desejo mãos beijando o meu corpo com um tatear que irradia amor em
leves choques de prazer.
Eu quero fechar os meus olhos e deixar o instante me levar às loucuras. Eu
quero sentir que o meu corpo se desfaz no plano material da vida para se permitir
transpassar o teu corpo etérico e, num plano transcendental, deixar-se provar do
gozo de tua alma… O quão celeste seria este momento!
Eu desejo respirar tua respiração enquanto você insinua morder meus lábios
sutilmente. O sabor da tua carne me excita por inteiro… Eu quero provar-te! Pois,
deixe-me aquecer teus ouvidos com os meus sussurros. Deixe-me entoar uma
melodia tão suave que seria capaz de fazer a tua alma vibrar em frequências
alucinógenas. Deixe-me apertar teu cabelo e suspirar em teu pescoço, enquanto teu
corpo se entrelaça com o meu… (Suspiro)
Agora, somos uma única substância. Uma gota quente de amor que fecunda
a terra dos nossos desejos mais ardentes. Um suor que escorre do busto
temperando os corpos servidos à mesa. Um jantar que não nos sacia, mas que nos
coloca na gula por mais, mais da louvada substância celeste que fez, dos nossos
corpos, uma refeição tão sublime que nem mesmo o próprio Dionísio teria o poder
de concebê-la.
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