{"id":677,"date":"2020-12-04T18:00:00","date_gmt":"2020-12-04T21:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/lalidis.com.br\/?p=677"},"modified":"2020-12-03T17:59:15","modified_gmt":"2020-12-03T20:59:15","slug":"o-ano-era-2006-e-aos-12-anos-fui-retirada-do-armario-e-fizeram-um-abaixo-assinado-para-a-minha-retirada-da-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lalidis.com.br\/index.php\/2020\/12\/04\/o-ano-era-2006-e-aos-12-anos-fui-retirada-do-armario-e-fizeram-um-abaixo-assinado-para-a-minha-retirada-da-escola\/","title":{"rendered":"O ano era 2006, e aos 12 anos, fui retirada do arm\u00e1rio e fizeram um abaixo-assinado para a minha retirada da escola"},"content":{"rendered":"<h6><span style=\"color: #ff99cc;\"><em><strong>Das paix\u00f5es n\u00e3o correspondidas da adolesc\u00eancia, e a confus\u00e3o da normatividade enfrentadas por uma crian\u00e7a transviada.<\/strong><\/em><\/span><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">O assunto desta semana aventura-se entre lembran\u00e7as de paix\u00f5es n\u00e3o correspondidas do tempo de escola, de uma adolesc\u00eancia em corpo de menino incompreendida, e tamb\u00e9m outras adolesc\u00eancias cis, que n\u00e3o encontraram naquele ambiente educacional, ensinamentos sobre respeito \u00e0s diferen\u00e7as, organiza\u00e7\u00e3o social e afetividade, com os outros e consigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez, esse texto seja sobre a import\u00e2ncia da escola para uma pessoa transviada. Na era da internet, cada vez mais, nos deparamos com assuntos que antes n\u00e3o era comum falar, ou sequer sab\u00edamos da exist\u00eancia. \u201cResponsabilidade afetiva\u201d \u00e9 um desses assuntos, que n\u00e3o estava no di\u00e1logo comum antes, mas s\u00e3o cada vez mais emergentes e necess\u00e1rios (ufa, ainda bem), sobretudo para a popula\u00e7\u00e3o trans, colocada como centro de uma coaliz\u00e3o de viol\u00eancias estruturais que materializam-se em nosso cotidiano.<\/p>\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify;\">O assunto desta semana aventura-se entre lembran\u00e7as de paix\u00f5es n\u00e3o correspondidas do tempo de escola, de uma adolesc\u00eancia em corpo de menino incompreendida, e tamb\u00e9m outras adolesc\u00eancias cis, que n\u00e3o encontraram naquele ambiente educacional, ensinamentos sobre respeito \u00e0s diferen\u00e7as, organiza\u00e7\u00e3o social e afetividade, com os outros e consigo.<span style=\"font-size: inherit;\"> <\/span>Talvez, esse texto seja sobre a import\u00e2ncia da escola para uma pessoa transviada. Na era da internet, cada vez mais, nos deparamos com assuntos que antes n\u00e3o era comum falar, ou sequer sab\u00edamos da exist\u00eancia. \u201cResponsabilidade afetiva\u201d \u00e9 um desses assuntos, que n\u00e3o estava no di\u00e1logo comum antes, mas s\u00e3o cada vez mais emergentes e necess\u00e1rios (ufa, ainda bem), sobretudo para a popula\u00e7\u00e3o trans, colocada como centro de uma coaliz\u00e3o de viol\u00eancias estruturais que materializam-se em nosso cotidiano.<\/p><\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano era 2006 e naquele momento, aos 12 anos, eu come\u00e7ava o descobrimento da minha sexualidade, inconformidade de corpo e n\u00e3o correspond\u00eancia aos estere\u00f3tipos do g\u00eanero masculino. Aquele momento, era a primeira vez que eu sa\u00eda da zona rural de S\u00e3o Jo\u00e3o do Sabugi, em cima de um pau-de-arara, para estudar na zona urbana, trajeto este que se repetiria at\u00e9 o fim do ensino m\u00e9dio em 2012.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Criada no s\u00edtio com o conv\u00edvio di\u00e1rio de minha m\u00e3e, minha tia e minha bisav\u00f3, eu n\u00e3o sabia, nem havia sido ensinada \u00e0 mentir sobre determinados sentimentos, e muito menos como funcionava algumas normatividades corporais, dado o fato que no s\u00edtio, n\u00e3o haviam palavras nem rotula\u00e7\u00f5es dessas mulheres, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mim. N\u00e3o que n\u00e3o houvesse viol\u00eancias na zona rural, frente \u00e0s minhas inconformidades com as masculinidades. V\u00e1rias outras pessoas violaram-me de diferentes maneiras, em minhas primeiras lembran\u00e7as, isso vem desde os 5 anos de idade, em uma vila de terras doadas de aproximadamente 35 fam\u00edlias. Mas o afeto que eu tive da minha m\u00e3e, tia e vov\u00f3, fez toda a diferen\u00e7a em como eu enxerguei muitos processos da minha vida.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Na nova escola, surgiu minhas primeiras paix\u00f5es e amizades \u201cviadas\u201d, de crian\u00e7as que assim como eu, eram olhadas de maneira enviesada pelos adultos. E mesmo que nos primeiros meses de 2006 eu n\u00e3o compreendia aqueles maus olhares, foi com crian\u00e7as semelhantes a mim, que eu comecei a brincar e fazer amizades. Foi quando surgiram os primeiros boatos entre os meninos da zona urbana, que eu seria \u201cviado\u201d.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Conjuntamente, foi a primeira vez que, convivendo com pessoas que eu n\u00e3o conhecia, tive minha primeira paix\u00e3o infantil, por um menino. Naquela ocasi\u00e3o, lembro-me perfeitamente, como se fosse hoje: est\u00e1vamos numa aula de matem\u00e1tica, e toda a turma desconfiava que eu n\u00e3o fosse \u201chomem\u201d, como diziam e, ao meio da aula, quando resolv\u00edamos contas de multiplica\u00e7\u00e3o, o menino que eu gostava jogou um papel na minha carteira, perguntando se eu gostaria de \u201cficar\u201d com ele, com as op\u00e7\u00f5es \u201csim\u201d e \u201cn\u00e3o\u201d para marcar. Sorrindo feliz pela pergunta, eu marquei \u201csim\u201d.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Como eu nunca fui boa em matem\u00e1tica, fui a \u00faltima a sair da sala para o recreio, e quando cheguei no p\u00e1tio j\u00e1 estavam v\u00e1rios meninos rindo e apontando para mim. Em meio \u00e0s palavras de \u201cmulherzinha\u201d e \u201cbichinha\u201d, meu grande choque, naquele momento, foi compreender que o bilhete deixado na minha carteira, n\u00e3o se tratava de um sentimento de afeto correspondido, mas de uma piada de mau gosto, para rirem pelos dias seguintes. Mesmo sem compreender, eu fui tirada do arm\u00e1rio, e humilhada no recreio da escola.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o tardou o fim do recreio, toda a escola j\u00e1 estava sabendo do ocorrido e olhavam para mim e riam em todos os cantos que eu passava. Assim, envergonhada, sentei sozinha e merendei em uma mesa mais afastada. A diretora, uma das pe\u00e7as centrais dessa hist\u00f3ria, compreendendo a confus\u00e3o e o assunto que corria entre os estudantes, ficou de p\u00e9 pr\u00f3xima ao corredor, observando todas as crian\u00e7as durante o intervalo, sem dizer nada.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Extremamente envergonhada, voltei para a pr\u00f3xima aula que tamb\u00e9m era de matem\u00e1tica e a professora ao entrar, foi na minha carteira e disse: \u201cmeu filho, essas coisas, a gente n\u00e3o diz na escola n\u00e3o, a gente resolve em casa\u201d. Em seguida, seguiu para a sua mesa enquanto os demais estudantes retornavam \u00e0 sala de aula.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguiram-se as \u00faltimas duas aulas, e eu calada. Quando deu 17:30h, com o fim da aula, rumei \u00e0 pra\u00e7a p\u00fablica da pequena cidade, onde o carro pau-de-arara esperava os estudantes rurais, para o retorno aos s\u00edtios. Naquele mesmo dia, entre 18:20h e 18:40h, hor\u00e1rio em que os carros chegavam de volta da escola, eu desci do carro e fui para casa, coloquei minha mochila em cima da cama da minha m\u00e3e, e disse a ela que na escola tinha acontecido uma humilha\u00e7\u00e3o comigo por ser diferente. Foi ent\u00e3o que, sentada comigo na cama, para saber o que havia acontecido eu disse: \u201cm\u00e3e eu t\u00f4 gostando de um menino, na escola, e todo mundo fez pouco de mim por causa disso\u201d.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele momento, minha m\u00e3e tamb\u00e9m arregalou os olhos, com susto, e perguntou: \u201cVoc\u00ea tem certeza disso? \u00c9 isso que voc\u00ea quer para a sua vida?\u201d, e eu mesmo insegura de responder, depois que vi seu olhar de surpresa, respondi sobre o que eu estava sentido: \u201c\u00c9\u201d. Minha m\u00e3e se levantou sem dizer nenhuma outra palavra, foi para a cozinha e chorou. J\u00e1 eu, fiquei sentada na cama e chorei&#8230; Est\u00e1vamos sozinhas em casa (mas n\u00e3o est\u00e1vamos sozinhas, t\u00ednhamos uma \u00e0 outra, e isso provou-se ao longo do tempo).<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos dias de aulas que seguiram, tornei a ir \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da escola, tornei a falar com o menino sobre o porqu\u00ea da brincadeira de mau gosto, assim em meio a insist\u00eancia e ao fato de estar buscando uma explica\u00e7\u00e3o, fui suspensa da escola por uma semana, levando no bolso um bilhete para minha m\u00e3e. S\u00f3 que quando eu retornei, continuei querendo saber do menino o porqu\u00ea dele fazer aquilo comigo, foi que ele disse a fam\u00edlia dele o que estava acontecendo: \u201cque um viado, na escola, estava pegando no seu p\u00e9\u201d.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, a explica\u00e7\u00e3o que uma crian\u00e7a d\u00e1 \u00e0 outra, ambas de 12 anos, foi absurda, partindo do olhar de hoje, mas partindo deste mesmo olhar atual, voltando-me \u00e0 crian\u00e7a que fui, as palavras que foram-me ditas n\u00e3o deixaram de dizer-me o local social que eu estava convidada \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o, por toda a minha vida, frente aos homens h\u00e9teros-cisg\u00eaneros. As \u00fanicas respostas que o menino deu-me foi: \u201cV\u00e3o te colocar na justi\u00e7a se voc\u00ea n\u00e3o acabar com esse assunto\u201d.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela primeira vez na minha vida, tamb\u00e9m, amea\u00e7aram a acionar o dispositivo da justi\u00e7a para fazer-me medo. Duas crian\u00e7as, de idades id\u00eanticas, compreendendo como os dispositivos operam, sendo uma \u201ccrian\u00e7a viada\u201d e outra n\u00e3o. A diferen\u00e7a \u00e9 que o menino que me tirou do arm\u00e1rio j\u00e1 havia aprendido as coisas e as fun\u00e7\u00f5es sociais para determinados corpos, que eu ainda n\u00e3o havia aprendido.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de n\u00e3o deixar o assunto quieto, incomodou muito toda a turma que uma semana e meia depois, em uma quarta-feira, logo depois da suspens\u00e3o, surpreendeu-me com um abaixo-assinado para a minha retirada da turma e possivelmente da escola. Foram mais de 30 assinaturas em uma turma de 36 estudantes. E ali come\u00e7aram as penalidades normativas mais bruscas e incidentes sobre o meu corpo. O in\u00edcio das muitas poss\u00edveis penalidades de uma vida transviada, que n\u00e3o se submete a ser humilhada e ficar calada, ou pior, que insiste em explica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">A diretora acatou o abaixo-assinado nos meus antigos colegas. Naquele ano, minha m\u00e3e foi acionada na escola em dois momentos, em duas suspens\u00f5es: a primeira depois do abaixo-assinado, o qual disse que n\u00e3o me retiraria da escola; e algumas semanas depois, em uma segunda suspens\u00e3o de mais uma semana quando um amigo disse que gostaria de experimentar uma maquiagem em mim, eu concordei e coloquei sombra nos olhos.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda suspens\u00e3o, por causa da maquiagem, a diretora em tom agressivo de advert\u00eancia disse-me que a escola \u201cn\u00e3o era lugar para aquelas coisas\u201d e que eu deveria me \u201cajeitar\u201d, ou seria expulsa da escola e minha m\u00e3e novamente seria acionada. Em outras palavras, se eu continuasse transviadando, sofreria cada vez mais outras penalidades. A escola n\u00e3o era espa\u00e7o para \u201caquelas coisas\u201d e eu deveria me \u201cajeitar\u201d? \u201cAquelas coisas\u201d n\u00e3o dizia respeito \u00e0 maquiagem e nem a confus\u00e3o do bilhete, mas dizia respeito a pessoas como eu.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano seguinte, em 2007, colocaram-me no 7\u00ba ano \u201cD\u201d, em uma sala de aula min\u00fascula que aparentava ter aproximadamente 3m\u00b2, esquecida e longe do bloco de salas, pr\u00f3ximo \u00e0 biblioteca, aos fundos da escola, colada entre a cantina e a sala dos professores, com jovens bem mais velhos e com problemas de v\u00e1rias repet\u00eancias da mesma s\u00e9rie. Aos 12 anos, relegaram-me \u00e0 margem, como os demais colegas daquela nova sala e acabaram todos os contatos que eu tinha com a minha primeira turma da zona urbana, que em contraponto, encontrava-se no mesmo local do ano que havia passado, no bloco de salas, na entrada principal da escola. Ao centro.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2007, quase 1 ano depois do abaixo-assinado acatado pela dire\u00e7\u00e3o da escola e da suspens\u00e3o por maquiagem (al\u00e9m de v\u00e1rias outras reclama\u00e7\u00f5es que a diretora fez \u00e0 minha m\u00e3e ao longo dos 4 anos finais do ensino fundamental), eu me sentia extremamente indesejada pelos profissionais da escola e pelos estudantes da mesma faixa et\u00e1ria que eu, me sentia impedida de fazer amizades e parecia estar sendo constantemente vigiada. E esse sentimento de n\u00e3o poder conversar, de vigia e de sempre estar fazendo algo errado, era horr\u00edvel.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">A diferen\u00e7a org\u00e2nica da minha marginaliza\u00e7\u00e3o educacional para a dos meus novos colegas entre 16 e 17 anos, foi que com 12 anos de idade, foi me dito exatamente o porqu\u00ea de estar sendo compulsoriamente exclu\u00edda da sociabilidade escolar e do conv\u00edvio com uma parte dos meus antigos colegas. Parece absurdo na cabe\u00e7a de muita gente que o simples respirar, estar viva e o fato de existir pessoas como eu, n\u00e3o \u00e9 um problema. Naquele momento, a escola n\u00e3o compreendeu isso, e ningu\u00e9m sabia responder ou interceder por uma crian\u00e7a transviada.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com tudo isso, a escola, a diretora de outrora e os meus antigos colegas, sequer poderiam imaginar que muito antes da minha retirada do arm\u00e1rio e culpabiliza\u00e7\u00e3o social de um corpo LGBT, antes mesmo dos 12 anos de idade, entre 5 e 6 anos que foi quando come\u00e7aram os primeiros problemas ainda na zona rural, minha m\u00e3e frente \u00e0quelas aproximadamente 30 fam\u00edlias de zona rural, insistia veementemente em dar-me conselhos. Dizia-me quase todos os dias que acontecia algo e eu chegava chorando em casa que eu precisava estudar para fazer mais por mim mesma, j\u00e1 que ela, ali onde mor\u00e1vamos, n\u00e3o podia fazer muito por mim.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Quebraram-se muitas coisas e tantos outros dispositivos foram acionados e est\u00e3o impl\u00edcitos aqui, para n\u00e3o ficar demasiadamente grande o texto. Relendo atentamente, \u00e9 poss\u00edvel perceber alguns outros gatilhos, mas enquanto adulto, eu preciso dar palavras \u00e0quela crian\u00e7a injusti\u00e7ada.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, eu compreendo que o choro da minha m\u00e3e, no dia da minha retirada do arm\u00e1rio, foi um choro de quebra de expectativa que eu n\u00e3o fosse LGBT, algo que foi dito a ela de maneira ruim. Talvez, tendo sido um choro calado na cozinha e n\u00e3o um choro de desgosto por n\u00e3o ter um filho h\u00e9tero, mas um choro de preocupa\u00e7\u00e3o com o que poderia acontecer-me, a partir daquele momento que eu confirmei a ela que eu gostava de um menino. Mesmo n\u00e3o tendo a compreens\u00e3o da complexidade que torna isso ruim em nossa sociedade LGBTf\u00f3bica.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de muito tempo, j\u00e1 na Universidade, a quest\u00e3o educacional tornou-se uma grande quest\u00e3o na minha vida, e n\u00e3o \u00e9 para menos. A escola \u00e9 um ambiente traumatizante para um corpo transviado, e quando se chega na Universidade se ressignifica isso, com outras corpas transviadas, a educa\u00e7\u00e3o torna-se transformadora. A gente come\u00e7a a perceber o qu\u00e3o \u00e9 urgente interceder com crian\u00e7as transviadas.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes, encontro ao acaso na rua as pessoas de outrora, de quando tudo isso aconteceu, e elas me olham com olhos de assombro. Na cidade pequena, todos sabem que eu peguei tudo o que j\u00e1 aconteceu-me t\u00e3o cedo, e tornei-me a monstra que disseram-me ser. S\u00f3 que, monstra adulta, transviada e gra\u00e7as ao suporte afetivo da minha m\u00e3e, tamb\u00e9m tornei-me \u201carmada at\u00e9 os dentes\u201d de conhecimentos contra a guerra supostamente impl\u00edcita da normatividade.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de tudo, n\u00e3o digo nada disso com tristeza. N\u00e3o recordo em ataque ou m\u00e1goa, mas rememoro como quem d\u00e1 motivos para lutar conjuntamente, contra os sistemas de opress\u00e3o e viol\u00eancia de g\u00eanero e sexualidade. At\u00e9 mesmo daquela primeira paix\u00e3o que acabou tirando-me do arm\u00e1rio, rememoro com carinho. Por mais que aquela confus\u00e3o tenha tido dispositivos que atingiram-me de v\u00e1rias maneiras naquele momento, enquanto humana, poder existir com um sentimento de bem querer ao outro, sempre ser\u00e1 algo nobre.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo do in\u00edcio da minha vida fora do arm\u00e1rio e com algumas vulnerabilidades afetivas no in\u00edcio da exposi\u00e7\u00e3o normativa, tive tr\u00eas paix\u00f5es, em diferentes momentos: aos 12, aos 14 e aos 15 anos de idade. Todas n\u00e3o correspondidas e frustradas, esbarradas na incompreens\u00e3o de g\u00eanero e sexualidade em uma pequena cidade conservadora. Logo, rememorar com carinho esses velhos sentimentos de paix\u00e3o, jamais ser\u00e1 pelas situa\u00e7\u00f5es de outrora, pois tanto eu, como os meninos que gostei, \u00e9ramos todos muito jovens. Relembro com carinho os sentimentos bons que existiram em mim. No fim, s\u00e3o os sentimentos bons que valem puramente nossas recorda\u00e7\u00f5es da intensa juventude.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui n\u00e3o cabe tristeza porque, triste mesmo, \u00e9 quem n\u00e3o sabe lidar com o amor, e violentamente, tenta mat\u00e1-lo. Depois de adulta, acredito que \u00e9 um dever meu, olhar com delicadeza para o meu passado, para poder dizer: \u201cApesar de tudo, eu estou bem. Mas n\u00e3o quero que se repita, nem comigo, nem com ningu\u00e9m!\u201d. Meu texto est\u00e1 aqui para o p\u00fablico pelo fato de ficar preocupada. Buscando esclarecer e n\u00e3o deixar que aconte\u00e7a com outras pessoas, coisas parecidas com o ocorrido comigo por falta de informa\u00e7\u00e3o. Aqui, \u00e9 uma forma de interceder por outras crian\u00e7as \u201cviadas\u201d que passam opress\u00f5es. Quero mesmo, que quem esteja lendo, lute comigo.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">O que n\u00e3o valeu, o que se desencadeou a partir da repress\u00e3o dos bons sentimentos e transviadagens, a gente torna material de an\u00e1lise, para perceber como essas for\u00e7as de injusti\u00e7a operam. Fiquemos atentas!<\/p><div class=\"pvc_clear\"><\/div><p id=\"pvc_stats_677\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"677\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/lalidis.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p><div class=\"pvc_clear\"><\/div> ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Das paix\u00f5es n\u00e3o correspondidas da adolesc\u00eancia, e a confus\u00e3o da normatividade enfrentadas por uma crian\u00e7a transviada. 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RN. 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