{"id":749,"date":"2021-02-19T18:40:06","date_gmt":"2021-02-19T21:40:06","guid":{"rendered":"http:\/\/lalidis.com.br\/?p=749"},"modified":"2021-02-19T18:40:06","modified_gmt":"2021-02-19T21:40:06","slug":"nao-sou-da-teoria-sou-da-pratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lalidis.com.br\/index.php\/2021\/02\/19\/nao-sou-da-teoria-sou-da-pratica\/","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o sou da teoria, sou da pr\u00e1tica!\u201d"},"content":{"rendered":"\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto traz alguns aspectos acerca de discursos e processos coloniais no modo de pensar algumas vezes. Ele \u00e9 escrito para pensar.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">O que est\u00e1 acontecendo no <em>Big Brother Brasil em 2021<\/em>, em rela\u00e7\u00e3o a participante Lumena, considero em algumas nuances uma representa\u00e7\u00e3o que \u00e9 fruto de um problema prorrogado dentro da academia brasileira, de academicismo insens\u00edvel e desumano, com firulas conceituais que sempre culminam na desconfian\u00e7a dos nossos iguais, no caso da academia s\u00e3o todos os estudantes com diferentes hist\u00f3rias e momentos de vida. No caso do reality show, o apontamento e desconfian\u00e7a entre l\u00e9sbica e bissexual, frente a bissexualidade de um homem preto retinto. O que essas duas situa\u00e7\u00f5es t\u00eam em comum?<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">No labor acad\u00eamico, muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 estranho o exerc\u00edcio da pesquisa tornar-se uma disputa de qualidades, notas e import\u00e2ncias, a hierarquiza\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 bom ou n\u00e3o em determinado laborat\u00f3rio, de quem representa algo mais importante em determinado ambiente, de quem pode ter mais visibilidade por estar associado a imagem deste ou daquele professor orientador, al\u00e9m dos abusos psicol\u00f3gicos constantes exigindo o produtivismo. A participante Lumena exemplifica essas atitudes, n\u00e3o incomuns ao meio acad\u00eamico, muito bem qualificada, mas competitiva, rude e desumana.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">O recado das massas \u00e9 um alerta, a rudeza e a desumanidade que causa apatia precedente a qualquer excelente qualifica\u00e7\u00e3o que uma mulher preta l\u00e9sbica possa ter. Turvando a import\u00e2ncia do que ela poderia representar neste momento, nacionalmente, e no caso espec\u00edfico do programa de TV que chega nos rec\u00f4ncavos mais distantes, a m\u00e1 representa\u00e7\u00e3o torna-se imagem est\u00e1tica na cabe\u00e7a das pessoas. Em um pa\u00eds extremamente desigual, em que a grande maioria das pessoas n\u00e3o sabem para que serve ao certo, ou como funciona a Universidade, haja em vista a elei\u00e7\u00e3o bem-sucedida de um presidente que teve amplo acatamento nos argumentos de campanha, afirmando que as universidades p\u00fablicas eram sin\u00f4nimo de planta\u00e7\u00f5es de maconha e grandes orgias p\u00fablicas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Lumena \u00e9 uma mulher preta, l\u00e9sbica, acad\u00eamica e militante. Mas, extremamente rude e desumana, ao que deixou transparecer em rede de televis\u00e3o nacional. Ela n\u00e3o perdeu seu valor de representa\u00e7\u00e3o de mulher preta, l\u00e9sbica, acad\u00eamica e militante, mas sua desumanidade, neste momento de sua vida, recaiu como uma bomba sobre todos os militantes e ativistas do Brasil, o que n\u00e3o significa que ela n\u00e3o possa mudar, quando estiver fora do programa.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Na megaloman\u00edaca estrutura de comunica\u00e7\u00e3o pa\u00eds afora, \u00e0 qual estamos vendo de m\u00e3os atadas, a reafirma\u00e7\u00e3o daquilo j\u00e1 pr\u00e9-conceituado, figura a ideia do que \u00e9 um pessoas \u201clacradora\u201d enquanto militante, ou militante enquanto \u201clacradora\u201d. E isso destr\u00f3i todos os esfor\u00e7os que militantes e ativistas constroem com muito cuidado, onde, em um pa\u00eds racista, LGBTf\u00f3bico e mis\u00f3gino, qualquer passo em falso \u00e9 usado para justificar as opress\u00f5es, deslegitimando a import\u00e2ncia das lutas identit\u00e1rias e dando vaz\u00e3o \u00e0s opress\u00f5es.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">A espetaculariza\u00e7\u00e3o e a danosidade irrevers\u00edvel do que estamos vendo, acredito eu, tamb\u00e9m \u00e9 aquilo que, por vezes, apenas nos afastamos. Quantas pessoas que estudam g\u00eanero, sexualidade e ra\u00e7a, numa perspectiva estritamente preocupada com um mundo mais equitativo e \u00e9tico, j\u00e1 n\u00e3o se encontraram com pessoas que dizem ter os mesmos interesses, mas conspiram com ideias imersas dentro de equ\u00edvocos que reafirmam as desigualdades e explora\u00e7\u00f5es? Isso n\u00e3o \u00e9 incomum, partindo de pessoas muito espec\u00edficas que dizem compartilhar dos mesmos interesses nas pautas identit\u00e1rias, e \u00e9 preciso ficar atentas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Certa vez, convidada para um evento acad\u00eamico, onde todas as pessoas convidadas para falar tinham alguma titula\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, perguntei a uma das l\u00edderes reconhecida localmente: \u201cQual a linha dos estudos de g\u00eanero que voc\u00ea tem mais afinidade?\u201d, e para minha surpresa, ouvi a resposta: \u201cN\u00e3o sou da teoria, sou da pr\u00e1tica\u201d. Essa frase caiu quase jocosa aos meus ouvidos, partindo de uma pessoa que, para alguns ouvidos mais sens\u00edveis, deixa transparecer alguns equ\u00edvocos graves. Pr\u00e1tica dissidente tamb\u00e9m, por\u00e9m n\u00e3o estranha na academia, de algumas pessoas falando sem embasamento te\u00f3rico e estudos profundos, sobre coisas que n\u00e3o conhecem muito bem, mas que acham interessante e colocam algumas palavras, muitas vezes finalizando falas com a reafirma\u00e7\u00e3o de preconceitos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Raras, por\u00e9m desconfort\u00e1veis vezes, presenciei pessoas convidadas para palestras em eventos, sem ter uma m\u00ednima no\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da proposi\u00e7\u00e3o de debate. Raras, por\u00e9m desconfort\u00e1veis \u00e0s vezes. \u00c9 nesse sentido que ainda somos deslegitimadas. Incont\u00e1veis vezes cheguei em lugares onde me propus tecer coment\u00e1rios sobre teoria de g\u00eanero, de maneira muito cuidadosa, enquanto pessoas acreditavam que eu estava falando do que eu vivia muito particularmente, enquanto travesti. Nesses ambientes, eu tamb\u00e9m pude observar que algumas pessoas s\u00f3 passavam a acreditar em mim enquanto boa estudante, depois que eu cambiava sutilmente a discuss\u00e3o de g\u00eanero queer e p\u00f3s-estrutural simplificada, de boa compreens\u00e3o geral, para voltas discursivas conceituais, citando v\u00e1rios autores ao mesmo tempo, culminando na n\u00e3o compreens\u00e3o da muita gente, sobre o que eu estava falando, mas tamb\u00e9m resultando numa espetaculariza\u00e7\u00e3o da travesti que \u201csabe o que est\u00e1 falando\u201d. Quando o ambiente era \u00e1rido e eu precisava mostrar que dominava uma discuss\u00e3o conceitual, eu sempre terminava triste e sentindo-me esvaziada. Eu passava alguns dias para recuperar-me de tal preocupa\u00e7\u00e3o e tristeza em saber que n\u00e3o fui compreendida, mas servi \u00e0 espetaculariza\u00e7\u00e3o esperada da travesti que \u201csabe\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso salientar, para que n\u00e3o haja uma m\u00e1 compreens\u00e3o: a academia \u00e9 transf\u00f3bica, e \u00e9 uma necessidade urgente de travestis estarem em locais acad\u00eamicos, debatendo saberes cient\u00edficos. Quando falo \u201cespetaculariza\u00e7\u00e3o da travesti que sabe\u201d, refiro-me ao fato de que, dentro da academia, a maioria das pessoas nunca espera que saibamos de nada e precisar provar a todo momento que tamb\u00e9m compreendemos eximiamente o campo cient\u00edfico, cansa, dado o fato que quem \u201cprecisa provar\u201d, fica subordinado h\u00e1 quem vai \u201cacreditar ou n\u00e3o\u201d. E ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 \u201cacreditar ou n\u00e3o\u201d, quando uma travesti pesquisadora fala de g\u00eanero, ela precisa ser respeitada na identidade docente dela. Qualquer coisa menos que isso, \u00e9 transfobia.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar do tempo, sentindo-me esvaziada e n\u00e3o ouvida, acabei dando um apelido engra\u00e7ado, sen\u00e3o tr\u00e1gico de \u201ca morte do cisne negro\u201d, onde quanto mais a travesti se debatia, mais as pessoas aplaudiam sua queda e n\u00e3o se importavam com nada al\u00e9m do espet\u00e1culo. Eu percebia claramente os olhos do respeito estalarem sobre mim s\u00f3 quando eu citava autores e mais autores, conceitos e mais conceitos, sempre sem fim, e sem entendimento pela maioria dos p\u00fablicos. Antes disso, eu sempre era uma estranha vista com curiosidade, convidada por educa\u00e7\u00e3o, e pronta para sumir e n\u00e3o ser mais vista em v\u00e1rios ambientes.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha experi\u00eancia \u00edntima tamb\u00e9m repete-se com outras travestis. Isso me leva a crer em outro aspecto, dentro de um campo rude da cultura acad\u00eamica: mesmo que eu esteja deleitada em teoria, a minha experi\u00eancia \u00edntima de g\u00eanero, enquanto travesti, n\u00e3o vale? Toda travesti passa por situa\u00e7\u00f5es semelhantes.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando-se \u00e0s a\u00e7\u00f5es da Lumena, no reality show em tv neste momento, quando soube da bissexualidade de um homem preto retinto dentro do programa, ela apontou o dedo e disse: \u201cVoc\u00ea est\u00e1 agenciando uma pauta coletiva para o \u2018B.O.\u2019 que \u00e9 seu! Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 especial!\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra \u201cagenciamento\u201d, dentro dos estudos de g\u00eanero e sexualidade, geralmente, aparece em encruzilhadas a partir de estudos das rela\u00e7\u00f5es rizom\u00e1ticas de <strong>Gilles Deleuze<\/strong> e <strong>F\u00e9lix Guattari<\/strong>, quando, a partir da psican\u00e1lise, demonstra-nos como as rela\u00e7\u00f5es humanas podem se organizar pelos processos de afei\u00e7oamento, bons, ruins, indiferentes, por exemplo, de uma pessoa pela outra. \u00c9 exatamente essa, uma das conversas que os estudantes de g\u00eanero t\u00eam com qualquer pessoa que fala \u201cagenciamento\u201d sem precisar citar o nome de autor nenhum. O que n\u00f3s estamos vendo, e o que, particularmente, incomoda-me bastante, \u00e9 que levando-se em considera\u00e7\u00e3o a fragilidade socioeducacional do Brasil, quem compreende o que \u00e9 um dedo apontado e o grito r\u00edspido de acusamento de agenciamento? A grande maioria das pessoas compreendem somente o grito r\u00edspido e o dedo apontado.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esse cuidado que precisamos tomar para n\u00e3o ser estereotipadas como violentas, tal qual aqueles que nos violentam.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201cmorte do cisne negro\u201d \u00e0 qual refiro-me, \u00e9 que n\u00e3o devemos esquecer que a academia tem hegemonicamente a cisgeneridade e o academicismo que, muitas vezes, corrobora para a constru\u00e7\u00e3o de universidades impopulares, e n\u00f3s, as raras travestis que compartilham desse ambiente, tem que estar mais atenta ao fato de n\u00e3o deixar-nos espetacularizar. A academia cisg\u00eanera, branca, h\u00e9tera e de classe m\u00e9dia, nos \u00faltimos anos est\u00e1 com quadros de mudan\u00e7a, gra\u00e7as aos sistemas de cotas para pessoas pobres e escola p\u00fablica, pessoas com defici\u00eancia, pessoas pretas e ind\u00edgenas, mas para pessoas trans e travestis, ainda n\u00e3o tem quase.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Conversando com algumas colegas de academia, n\u00e3o \u00e9 incomum ouvir que muita gente nos acusa de violentas, quando falamos, mas \u00e9 preciso ficar espertas para n\u00e3o sermos espetacularizadas e n\u00e3o compreendidas por causa disso. Por isso, mesmo aprendi que o discurso precisa estar simples em p\u00fablico e denso no papel, nos \u201cquadros de guerra\u201d que nos encontramos, ainda \u00e9 preciso fazer esse exerc\u00edcio, haja vista a escassez de pessoas trans nas gradua\u00e7\u00f5es, sem cotas, e do n\u00e3o conv\u00edvio geral da sociedade conosco, em locais institucionais.\u00a0 A ignor\u00e2ncia de parte esmagadora da cisgeneridade com aquelas que eles n\u00e3o querem conhecer \u00e9 quase gigante, e n\u00f3s, as travestis que em diferentes vias, est\u00e3o na academia, estamos em campos de guerras quase invis\u00edveis, ou percebido, quase somente por n\u00f3s mesmas e alguns poucas pessoas verdadeiramente cisg\u00eaneras aliadas \u00e0 anti-transfobia.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas afinal, o que eu estou costurando aqui? O exemplo dado acima, veio-me \u00e0 mente como maneira de ilustrar algo mister, que o atual assunto nacional despertou lembran\u00e7as em mim: no Brasil, os ativistas encontram-se em p\u00e9ssimos len\u00e7\u00f3is pol\u00edticos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e3o, ent\u00e3o, tr\u00eas processos que n\u00f3s precisamos ficar atentas: \u00e9 poss\u00edvel percebermos uma distin\u00e7\u00e3o clara nos danos causados pelo (1) distanciamento entre teoria e pr\u00e1tica, junto ao processo de (2) estereotipa\u00e7\u00e3o dos grupos militantes enquanto violentos e grosseiros, e o (3) academicismo desumano e rude, que operam cada vez mais para o distanciamento \u00edngreme entre universidade, ativismo e povo, para um mundo melhor, colocando abaixo o trabalho de muita gente que, delicadamente, constr\u00f3i rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas humanas acolhedoras.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">O ativismo na qual eu me refiro aqui, ou pelo menos a leitura que eu fa\u00e7o, vai de encontro com os estudos de <strong>Michel Foucault<\/strong>, enquanto uma est\u00e9tica da exist\u00eancia, uma maneira \u00e9tica de viver em sociedade, da maneira menos danosa poss\u00edvel, levando-se em considera\u00e7\u00e3o toda a nossa hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o social, onde busca-se compreender e ouvir as verdades alheias sem feri-las, n\u00e3o apontar o dedo, n\u00e3o fingir que sabe, n\u00e3o fingir ser melhor que outros, nem muito menos ser violenta com as palavras. Ao contr\u00e1rio, o ativismo ao qual refiro-me pensa com muito cuidado, ouve com mais cuidado ainda, e s\u00f3 ent\u00e3o ousa arriscar dizer algumas palavras.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem use pomposas palavras para distorcer causas e efeitos da vida social pr\u00f3pria ou de outras pessoas que acabam pagando a conta. Mas \u00e9 preciso salientar que h\u00e1 um grupo de estudantes\/militantes\/ativistas em um local muito distinto das pr\u00e1ticas equivocadas, que encontram-se tamb\u00e9m nos costumes acad\u00eamicos n\u00e3o abordados at\u00e9 agora: o compartilhamento delicado, generoso e bondoso de saberes para a vida. E isso me revigora.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste momento, eu sinto intimamente, que \u00e9 importante dizer tudo isso, ou pelo menos tentar perceber coisas que, talvez, estejam muito claras para alguns grupos de pessoas dentro da academia que envolveram-se com ativismos a partir de um amor auto-trans-formador, o prazer de contribuir para uma cultura genuinamente generosa na constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Por toda a destrui\u00e7\u00e3o das estruturas t\u00e3o fr\u00e1geis do ativismo, neste momento em que os ruins estere\u00f3tipos chegam aos locais mais distantes, \u00e9 que eu sinto a necessidade de resistir esperan\u00e7adamente ao escrever isso, mesmo que eu jamais chegue nos mesmos locais que a rede de televis\u00e3o mais assistida do Brasil alcan\u00e7a. A participante Lumena, enquanto mulher preta, l\u00e9sbica, acad\u00eamica, militante pelas quest\u00f5es de g\u00eanero, classe e ra\u00e7a, tem um valor \u00edmpar, mas neste momento, causa-me preocupa\u00e7\u00e3o, e uma ponta de tristeza, pela eminente desconsci\u00eancia da sua autorrepresenta\u00e7\u00e3o dentro do reality show. E da destrui\u00e7\u00e3o de estruturas fr\u00e1geis no Brasil afora, pa\u00eds onde prolifera-se o \u00f3dio \u00e0s diferen\u00e7as, e que aproveita-se de a\u00e7\u00f5es equivocadas de uma pessoa potencialmente representativa de grupos historicamente oprimidos, e generaliza enquanto uma caracter\u00edstica de todas as pessoas com os mesmos interesses de repa\u00e7\u00e3o, para dar um significado negativo as pr\u00e1ticas desejantes de equidade social.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Resisto. Resistamos!<\/p>\r\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div><p id=\"pvc_stats_749\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"749\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/lalidis.com.br\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p><div class=\"pvc_clear\"><\/div> ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto traz alguns aspectos acerca de discursos e processos coloniais no modo de pensar algumas vezes. 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