Ruddy Pinho

Muitos a conhecem como “A maravilhosa” ou como “a cabelereira das estrelas”, todos esses apelidos conquistados durante sua trajetória como cabeleireira de personalidades e famosos, atriz e escritora fizeram com que Ruddy Pinho se tornasse uma mulher de relevância no cenário brasileiro. A primeira mulher transgênero a publicar um livro no Brasil, foi para o Rio em 1965, iniciando sua carreira lá como cabelereira, onde tinha um estilo inconfundível, segundo ela mesma narra em seu livro de memórias “Nem tão bela, nem tão louca” .

Depois das putas, fazia os estilos das senhoras high society, das misses de Minas Gerais e de Berenice Magalhães Pinto – primeira dama do estado. Cheguei ao Rio em 4 de abril, um sol morno a me esperar, num fim de verão. Tinha nas bochechas, cor de rosas, a identidade caipira que sempre era confundida com blush. Sucesso! Venci! E em 1967, tinha feito minha primeira capa da Revista Manchete. [...] De Carmem Mayrink à Dorinha Durval – todas queriam passar pela minha cadeira. Como a história segue até hoje, tenho referencias de várias mulheres importantes no cenário carioca. E já se passaram mais de 40 anos. (PINHO, 2007, p.35-36, grifo do autor)

Ruddy, tinha um salão em Ipanema e foi a responsável pela transformação da cantora Simone em “símbolo sexual” em 1980, quando fez o corte no estilo “leoa” na mesma. Além disso, trabalhou com Marília Pêra, Odete Lara, Yoná Magalhães, Beth Carvalho e Susana Vieira. Como atriz participou de filmes, uma novela e peças teatrais, sendo o último o show “Divinas Divas” apresentado no teatro Rival, no Rio de Janeiro, onde Ruddy contracenou com Jane di Castro e Rogéria. Além disso, ela já foi capa de jornais e revistas, fazendo alguns ensaios. Assim como fez parte da escola de samba Grande Rio e da Unidos do Cabuçu, desfilando, nessa última, como a principal destaque e usando um vestido criado por ela mesma para a grife Casa de Noca, de Silvia de Bossens.

Na literatura, Ruddy lançou dez livros, dentre eles: “In… confidencias mineiras”, que ganhou o concurso da Biblioteca Nacional em 1999, “Liberdade ainda que profana”, uma autobiografia, e “Nem tão bela, nem tão louca”, um livro de memórias. Além disso, chegou a se candidatar para ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL).

A sua transição de gênero foi feita com quase 40 anos, em 1980. Isso devido a uma questão com a palavra “travesti”, ela afirmava que 

Achava que o termo era ligado a prostituição e a marginalidade. Hoje tudo é mais confortável, porque as pessoas tem mais educação e esclarecimento. As crianças já nascem sabendo quais são as formas de sexualidade. Sou transgênero. É a palavra correta (entrevista ao jornal O GLOBO)

Depois de um longo período de psicanálise, aceitou sua transgeneridade e fez as pazes com o passado, assumindo, assim, sua transexualidade. Teve apoio do filho adotivo Ivan, que foi a primeira pessoa informada de sua decisão.

Ruddy Pinho morreu aos 77 anos na madrugada do dia 05 de fevereiro de 2021, por causas não divulgadas até o momento. Este ano ela comemorava 57 anos de carreira e dizia em uma de suas obras que “as coisas mágicas são diferentes das coisas de carne. Eu sou apenas uma coisa mágica” (RUDDY, 26/08/1993).

 

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